saudade ( um tipo de vazio)
a saudade sempre costuma fazer parte do meu repertório de sentimentos. ao longo dos dias sou surpreendida com um cheiro que me lembra alguém, uma comida que me transporta por um momento especial e aquela música que marcou uma fase importante da minha vida.
é como se o tempo parasse por alguns segundos, e eu revivesse todo aquele momento, toda aquele memória, feito um flashback de série tipo netflix.
toda vez que sinto cheiro de café lembro da minha vózinha, que já se foi, me acordando às 7 da manhã pra tomar café, mas ficava chateada porque queria dormir mais, e hoje só me resta saudade.
o cheiro de alguém que amei em algum momento da vida. vem como uma onda de lembranças de carinho, ternura e aconchego, mas já se foi.
quando escuto aquela música, lembro dos amigos, dos processos que estava enfrentando, e de como ela me acolhia muito bem naquela fase.
me deparando com essas saudades eu acabo comparando com as coisas que estou vivendo no presente, me apegando há algo que já aconteceu, e fico triste achando que minha realidade era antes melhor do que a de hoje.
mas eu tive uma epifania no meio dessas minhas saudades. fui a fundo nesses momentos de nostalgia e percebi que em muitos desses momentos estava vivendo processos muito difíceis, relações nada legais, e meu senso de identidade nem existia. em muitos desses momentos estava longe de mim mesma, e até mesmo adoecida mentalmente, foi ai que percebi que meu hoje não é melhor nem pior e sim diferente, e estou vivendo coisas legais e outras não tão legais assim.
é muito bom ter momentos para serem recordados, mas eles não devem servir de comparação com a realidade que nos é apresentada hoje, no passado também teve dias dificeis, e é bom ter isso como um lembrete.
sempre vamos estar em contato com ‘’ o bom e o ruim’’, não existe um lugar mágico que só exista coisas boas e legais, mas existem ondulações, desvios, desencontros, mas também muita conexão, encontros, e sincronicidade.
ter isso em mente me fez voltar pro presente, onde eu sempre preciso estar! no aqui e agora.
acho que minha epifania veio muito de encontro com a minha própria percepção sobre o tempo, e em como o passado e o futuro se misturam no meu agora. Sempre tenho um sentimento que fiz tudo errado no passado, e que estou atrasada demais pra viver meu ‘’futuro perfeito’’, e o meu presente se torna um grande pesadelo. Passar por esse processo de dar significados ao que já foi, me perdoar, ter autocompaixão, compreender que a pressa que tanto tenho não pertence tanto a mim, mas sim a expectativas externas, respeitar meu ritmo, são caminhos que me levam a estar presente com muita presença, com histórias de superação e com boas expectativas em relação ao futuro.
ao tentarmos refazer o passado para controlar o futuro, nos entorpecemos com a expectativa e a idealização de que ‘’ só vou ser feliz assim’’, fugindo da realidade que me é apresentada, deixando de viver no presente, que é onde o passado e o futuro se encontram, mas quando não estão em sintonia nosso presente fica ameaçado.
quando decidimos de fato estar presente, teremos que abrir mão dessas idealizações e aceitar a dor da perda da idealização, se permitindo sentir todo incômodo, mas também todas as coisas boas que a vida está oferecendo no momento.
sentir saudade é uma forma de conforto enquanto você enfrenta o desconhecido que a vida oferece. tudo bem sentir saudade, mas que ele seja apenas um lugar de passagem e não um lugar pra se fazer morada.
Comentários
Postar um comentário