ir embora
Partidas
hoje é um domingo à noite, encerrado com uma temporada de horas de filmes infantis com minha irmã de 5 anos. assisti 3 filmes de animação em seguida, e todos eles me inspiraram de tal maneira que precisei escrever, colocar pra fora aquilo que me tocou de forma especial. e com certeza o meu preferido foi toy story.
toy story é o filme que mais amo no mundo, eu me identifico de tantas maneiras com aqueles brinquedos, que talvez nenhum culto religioso me faça ficar tão conectada comigo mesma como esse filme me faz ficar. ele fala sobre identidade, amizade, lealdade, coragem, medo, e o que mais me tocou no filme de hoje: despedidas.
o woody sempre foi destemido, e tinha sempre em mente seu propósito de vida, e apesar de sempre ter desafios em volta do seu valor de vida, isso o guiou por todos os momentos que ele passou, e ajudou todos que estavam ao seu lado, de uma forma bela e inspiradora, e quando chega no quarto filme , ele se ver em conflito com aquilo que o guiou a vida toda. assim somos nós. chega em certos momentos da nossa vida, que aquilo que sempre acreditamos não nos servem mais, e tá mais que na hora de mudar de página, de encerrar um ciclo, e seguir um rumo que faça mais sentido pra nós naquele momento.
esse processo de percepção é um pouco desconfortável e nos faz questionar o que estamos fazendo de errado, e meus amigos? tudo que construí? vai simplesmente desaparecer, não posso apenas mudar de página dessa forma. e entramos em um conflito enorme de quem devemos ser, onde não cabemos mais, e seguimos nos esforçando pra continuarmos sermos fiéis aquilo que sempre norteou nosso caminho. woody entende muito isso, tentando de todas as formas salvar o garfinho, tentando ainda provar que era útil no meio de seus valores, que necessitavam de mudanças.
a parte do filme que mais me emocionou é quando ele se despede da Betty, o brinquedo que supostamente está perdido, e o woody sente de uma forma tão forte que seu lugar é ao lado da Betty e não mais dos seus amigos e da sua criança que pertence no momento,a Bonnie, o buzz consegue perceber sua indecisão, e diz que a criança vai ficar bem sem ele, achei tão lindo o respeito que o buzz tem pelo woody, de compreender que a fase do seu melhor amigo estava mudando, e que nesse momento a melhor forma de amá-lo será deixando ele ir. e a minha pergunta é: será que temos relações que vão respeitar nossas partidas? será que nós temos esse respeito pelas pessoas que precisam ir? eu ainda não tenho essa resposta pra mim mesma, mas será algo que vou refletir a respeito.
outra cena que me tocou muito, foi quando os brinquedos estavam indo embora o rex diz: agora o woody é um brinquedo perdido? e o buzz responde: ele não está perdido, pelo menos, não mais! o buzz entendeu perfeitamente, que era a hora do woody mudar de rota, porque ele não pertencia mais ao brinquedos da Boonie. e tudo bem, o woody achou seu caminho, achou um lugar que ele pertencia, que o fazia bem, que o preenchia. e acho tão importante entendermos a importância de ir embora, de reconhecemos que em alguns momentos da nossa vida, nós vamos mudar, e crescer a ponto de não sermos as mesmas pessoas, e precisar ir embora, seja de lugares, pessoas, crenças, pontos de vistas, valores.
tudo está em uma constante transformação, e quanto mais nos abrirmos pra essas mudanças necessárias que a vida pede, mais conseguiremos ser quem somos , abriremos os caminhos para possibilidades incríveis e viveremos uma vida que amamos viver.
eu me vejo como o woody, cheio de conflitos em deixar aquilo que não me serve mais, mas ainda não sei qual caminho vou seguir, mas sei que eventualmente ele irá surgir, assim como aconteceu com o woody.
esse filme aquece muito meu coração. obrigada por existir TOY STORY
Thays.

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