por ai, (perdida,no caso)
não sei em qual momento da minha vida tive total consciência das minhas escolhas e poder de decisão. como cresci em um cenário religioso, posso dizer que já tinha escolhas definidas por deus e pela bíblia, com que eu iria me casar, como iria me casar, como seria minha vida sexual, meus relacionamentos familiares e interpessoais, minha forma de me vestir, de pensar e falar, os ambientes que ira frequentar, a forma como veria as pessoas e a mim mesma. tudo isso já estava definido, então estava tudo muito confortável, seguro e garantido!
mas viver com tudo muito definido e pré estabelecido por uma religião, nos impede de sermos quem genuinamente somos, nos impede de criar a nossa própria vida e opiniões e desenvolver independência em todos os aspectos. essa forma de viver, chamada de dependência, e muitas vezes romantizada pela igreja, ao meu ver hoje, é uma forma muito tóxica e controladora. não há uma liberdade pra desenvolver independência e responsabilidade pelas escolhas que se faz, porque eles conceituam escolher as escolhas de deus. mas muita vezes, essas escolhas são egoístas e machucam tanto as que fazem como as que estão ao redor.
e digo por experiência própria. chegou um momento da minha vida, que me vi tão perdida nessas escolhas de deus, que não me identificava com nenhuma delas, e ficou insustentável viver nelas e decidi mudar. mudar de direção, de escolha, de ambiente, de pessoas, de parceiro, de profissão, agir com responsabilidade sobre minhas decisões, tentar uma nova versão de deus, e outras formas de ver a vida.
mudei o cabelo, as companhias, a forma de falar, minhas músicas, crenças, o que penso sobre mim e sobre o outro. claro que essas mudanças são um processo, estão em processo de construção, e acredito que continuarão mudando e se aperfeiçoando, na medida das minhas experiências e amadurecimento, e com o tempo serão mais orgânicas e saudáveis. claro que, mudar de caminho é assustador, você decidir ir pra um caminho que nada foi ensinado, com tudo diferente gera medo e insegurança, e sinto que ainda estou nesse processo de transição de mudanças.
já estou nele desde de 2018, e não acho que terminei. ainda existem crenças que precisam ser reconstruídas, mas acredito que já construí muito com as mudanças e escolhas que fiz, tenho criado um caminho mais coerente com aquilo que descubro sobre quem eu sou de verdade, com mais harmonia e respeito com a minha pessoa, me tornando mais capaz e consciente das minhas decisões. sinto que estou aprendendo tudo de novo, sinto que estou descobrindo minha verdadeira essência e meu verdadeiros sonhos e desejos. passei tanto tempo tendo os sonhos de deus e desejos admiráveis pelo meu contexto social e me perdi da pessoa mais importante da minha vida : eu mesma!
essa busca, na verdade tem sido um resgate de mim mesma, da pessoa que eu nasci pra ser! hoje me vejo em um misto de confusões e convicções, como eu disse, eu ainda estou no processo de confiar nas minhas decisões, e acreditar nesse poder que já esta inerente a mim, desde que nasci, mas como sempre ouvi ser incapaz de tomar decisões e que sempre precisei de uma aval de um suposto deus, minha mente ainda busca esse aval e me sinto insegura quanta a essa independência necessária e saudável.
e tudo bem se sentir assim. eu sei que tenho aberto espaço pra confiar em mim mesma, e que isso levará tempo. mas preciso reconhecer o quanto tenho trabalhado nisso. e isso não significa que vou sempre acertar, mas sim que vou ser responsável e consciente daquilo que estou fazendo e escolhendo, mesmo que der errado ou me decepcione, preciso aprender a lidar com o erro de forma a me construir e me tornar alguém melhor, mais humano e mais empático a começar comigo mesma.
ainda existem questionamentos se fiz a decisão certa em algumas coisas, me bate um desespero de ter pedido chances, de ter me precipitado, de talvez nunca mais ter aquela chance outra vez, mas quando paro pra pensar o porquê fiz o que fiz, esse sentimento se dissipa, e me reconecto de novo com meus novos valores e comigo mesma. sinto também , que minhas escolhas não me levaram onde imaginei que levariam, como se não tivessem feito efeito, como estivessem jogadas ao vento, sem nenhuma lógica e que nada se encaixa, como se estivessem soltas sem nenhuma coerência.
apesar, desses sentimentos, eu vivo um dia de cada vez, com mais consciência e criando a confiança em mim que preciso ter, acreditando antes de tudo em mim mesma, criando aquilo que é mais parecido comigo e com aquilo que sou.
thays.

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