Sem essa de no pain no gain.

dor
o que talvez nos iguale em todos os níveis, é a dor. a dor é algo universal, todo mundo sente! apesar do sentir ser algo ainda particular, se compartilhamos nossa dor com outra pessoa, ela também irá se identificar de alguma maneira.
a dor é poética, se romantizada, torna os poemas mais belos, as canções mais profundas, e um alento na alma de quem escuta, a dor gera uma acesso obrigatório dentro de nós, gera uma série de questionamentos sobre o nosso valor, e o que de fato somos pras pessoas que estão ao nosso redor.
existe a dor física, visível, que pode até ser facilmente diagnosticada, mas a que dói mesmo e que nem mesmo a gente consegue ver, é a dor da alma, que demoramos anos pra acessa-lá, até que não temos mais opções de ignorá-la.
um término de um namoro,uma amizade que se findou, uma rejeição profissional, alguém não corresponder seu amor de volta, não ser bem aceito, se sentir sozinho, tudo isso dói muito, sem contar de traumas e abusos que nem consigo mencionar.
vamos sentir, não tem como correr. mas sabe o que eu notei? que no contexto religioso que cresci sofrer era algo supervalorizado, a tribulação te faz ser grande e mais valoroso, e sofrer era uma forma bonita de se relacionar com Deus e uma forma de se tornar mais íntimo dele. eu acreditei muito nisso, no fim cheguei a ter vontade de tirar minha própria vida, descobri transtornos de ansiedade e depressão. e precisei urgentemente questionar meu sistema de crenças sobre esse deus sofredor.
hoje, depois de alguns anos de questionamentos e reflexões sobre a vida e a dor, entendo que a dor até fará parte da nossa vida em alguns momentos, mas ela não precisa sempre se fazer presente, tem como evoluir, crescer, mudar de ideia, de caminho, terminar coisas sem morrer de sofrimento.
ouvi uma vez na aula de yoga, que sair da zona de conforto a gente não precisa sentir dor, a gente vai sentir sim algum desconforto, mas ela não precisa doer.
imagina só se todo processo da vida e relacionamento for danoso e doloroso de viver? como aguentaríamos, como manteríamos a nossa sanidade mental e emocional, chega uma hora que ficará insustentável pro nosso corpo suportar, e cheguei ao questionamento de que até quando a dor será necessária? depois de algum tempo, quando você decide se curar, essa dor não se faz tanto necessária, claramente vou me sentir triste, decepcionada, porque faz parte da minha experiência humana, mas quando você entende que a dor não é mais tão bonita assim e até não necessária, a gente passa a processar as coisas com mais aceitação e leveza, sem se perder de quem se é, sem criar traumas, sem rombos na alma e no coração, sem criar inimizades, sem términos traumáticos e dolorosos, mas sim em amor e respeito, tanto comigo quanto com quem estiver envolvido.
UM GRANDE VIVA, as formas mais leves e orgânicas de levar a vida.
Os processos, os términos, o despertar, o autoconhecimento, as descobertas, a saída da zona de conforto, não precisam ser danosas e dolorosas.
sem essa de no pain no gain (peloamordedeuseuodeioessaexpressão).
thays.



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